Biologia
Felipe AntunesPor: Felipe Antunes
08/04/2022- 16:10:16
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O termo “conjuntivo” ou “conectivo” significa “que une”, “que associa”, “que liga”. Ao contrário dos epitélios, os tecidos conjuntivos apresentam elevada quantidade de substância intercelular. As células que constituem esse tecido possuem formas e funções bastante variadas. Estas células originam-se do mesênquima (um derivado do mesoderma), por isso são chamadas de células mesenquimais. As células contêm prolongamentos, são afastadas umas das outras e situadas num meio rico em glicoproteínas. Trata-se, portanto, de um tecido com diversas especializações. Também chamada de matriz, a substância intercelular ou intersticial dos tecidos conjuntivos preenche os espaços entre as células e apresenta-se constituída de duas porções: a substância amorfa e as fibras.

As células e fibras do tecido conjuntivo acham-se mergulhados numa substância fundamental amorfa, difícil de ser observada ao microscópio, pois ela não se conserva muito bem com os fixadores comuns usados em laboratório. Além de água e sais, a substância fundamental amorfa é constituída por um complexo de glicoproteínas e glicosaminoglicanos, que lhe conferem uma consistência gelatinosa, semilíquida, transparente, incolor e homogênea na observação ao microscópio comum. A capacidade das proteoglicanas reterem água, possibilita um meio de transporte por difusão, tanto dos nutrientes como das excretas

Substância intercelular amorfa: É constituída principalmente por água, polissacarídeos e proteínas. Às vezes, como acontece no tecido ósseo, à substância intercelular é sólida, com uma rigidez considerável; outras vezes, como o plasma sanguíneo, apresenta-se líquida.

Tipos de Fibras do Tecido Conjuntivo

As fibras são de natureza proteica e se distribuem conforme o tipo de tecido. Na substância intercelular destacam-se os seguintes tipos de fibras:

Colágenas: as fibras mais frequentes do tecido conjuntivo; formadas pelas proteínas colágeno → de alta resistência à tração – têm coloração esbranquiçada;

Elásticas: fibras formadas pela proteína elastina; dotadas de elasticidade, têm coloração amarelada;

Reticulares: as fibras mais finas do tecido conjuntivo são constituídas por uma proteína chamada reticulina, muito semelhante ao colágeno.

Tipos de Células do Tecido Conjuntivo

Fibroblastos -   principal célula do tecido conjuntivo. Apresenta núcleo oval, grande e o citoplasma ramificado. Sua função é produzir e renova a substância intercelular. Quando está em repouso, recebe o nome de fibrócito e não apresenta ramificações.

Macrófago - tem forma e tamanho variados. O núcleo pode ser oval ou em forma de rim. Podem ser fixos, quando recebem o nome de histiócitos ou apresentar movimento amebóide, quando então se locomovem para realizar fagocitose. São responsáveis por passar as informações sobre um antígeno para o sistema imunológico.

Mastócito - distribuem-se por todo o tecido conjuntivo, mas com maior frequência no sangue. São as responsáveis pelas reações de hipersensibilidade imediata do organismo, quando entram em contato um antígeno. Liberam histamina e heparina, substâncias atuantes em casos de alergia, anafilaxia, sensibilidade a medicamentos etc.

Plasmócito - é um tipo celular importante na defesa do organismo, pois é o principal produtor de anticorpos. São encontrados principalmente no conjuntivo adjacente aos epitélios do trato respiratório e digestório, particularmente em regiões de inflamação crônica.

Adipócito - são células especializadas em acumular gordura. São encontradas no tecido adiposo e têm por função a reserva energética do organismo. Seu citoplasma é tomado quase totalmente pelo acúmulo de gordura e o núcleo está localizado numa posição periférica.

Leucócitos: constituem o conjunto de células brancas do sangue. São responsáveis pela defesa do organismo, podendo migrar da corrente circulatória para os tecidos quando necessário.

Células Mesenquimáticas Indiferenciadas: são células embrionárias presentes no conjuntivo adulto, capazes de originar outros tipos celulares.

Fun Realizadas Pelos Tecidos Conjuntivos

Reservas de nutrientes: O tecido conjuntivo propriamente dito e principalmente o adiposo armazenam lipídios, além disso, o conjuntivo frouxo armazena água e sódio.

Sistema de defesa: O tecido conjuntivo contém células fagocitárias (macrófagos) e células que produzem anticorpos (plasmócitos), além da substância fundamental amorfa que, por ser viscosa, representa uma proteção à penetração de bactérias e partículas estranhas. O tecido conjuntivo participa da inflamação, que é uma resposta do organismo à penetração de bactérias ou substâncias químicas irritantes e quando não consegue destruir estas bactérias, o tecido forma uma barreira fibrosa para conter a inflamação.

Regeneração: As células do conjuntivo têm capacidade de se multiplicarem (cicatrização).

Transportes de nutrientes: Por estar associado aos vasos sanguíneos e linfáticos até os ramos mais finos, o tecido conjuntivo tem a capacidade de transportar nutrientes para as células de outros tecidos, como também eliminar o refugo do metabolismo, pelo caminho inverso.

Os elementos que constituem os tecidos conjuntivos – células e substâncias intercelulares – variam de acordo com as diversas modalidades desses tecidos. Considerando essa variação e, ainda, a função do tecido, podem-se classificar os tecidos conjuntivos da seguinte maneira:

Tecido Conjuntivo Propriamente Dito (TCPD)

O tecido conjuntivo propriamente dito, nos vertebrados, espalha-se por todo o organismo, com exceção do sistema nervoso central. Inserido neste tecido, temos os vasos e os nervos. Este tecido entra na estrutura íntima dos órgãos (colaborando harmonicamente para o desempenho de suas funções) e, na maioria das vezes, separa um órgão do outro, quer envolvendo-o e delimitando-o, quer por intermédio de uma estrutura mais flácida de preenchimento

Tecido conjuntivo frouxo

 Caracteriza-se pela presença abundante de substância intercelular e amorfa, porém, é relativamente pobre em fibras, que se encontram frouxamente distribuídas. Nesse tecido estão presentes todas as células típicas do tecido conjuntivo: os fibroblastos, muito ativos na síntese proteica, os macrófagos, células com grande atividade fagocitária, os plasmócitos, que produzem anticorpos e as células adiposas, que armazenam lipídeos. Funções básicas do tecido conjuntivo frouxo:

  • Preenchimento de espaços entre os órgãos viscerais;
  • Suporte e nutrição dos epitélios;
  • Envolvimento de nervos e vasos sanguíneos e linfáticos;
  • Cicatrização de tecidos lesados.
  • Tecido conjuntivo denso

É formado pelos mesmos elementos estruturais encontrados no tecido frouxo, porém, com predominância acentuada de fibras colágenas. As células são menos numerosas que no tecido frouxo, dentre as quais se sobressaem os fibroblastos. É menos flexível e mais resistente às trações.

Quando as fibras colágenas se distribuem de maneira difusa, não ordenada, o tecido conjuntivo denso é chamado de não modelado (ou fibroso). É o que ocorre, por exemplo, na derme da pele.

Quando as fibras colágenas se acham dispostas de forma ordenada, formando feixes compactos e paralelos, o tecido conjuntivo denso é chamado de modelado (ou tendinoso). Como exemplo, temos os tendões, estruturas dotadas de alta resistência à tração, que promovem a ligação entre os músculos esqueléticos e os ossos nos quais se inserem. Já os ligamentos, que são de mesma constituição tecidual, promove a conectividade entre os ossos da articulação.

Imagem anatômica da constituição da articulação tibiofemural (joelho), onde mostra as disposições dos tendões e dos ligamentos.

Denso Modelado

Também conhecido como ordenando ou tendinosos, apresenta fibras colágenas organizadas em uma única direção formando feixes compactos e paralelos. Entre esses feixes existem fibroblastos.

Formam os tendões e ligamentos.

Tendões - são cordoes muito resistentes que ligam os músculos aos ossos.

Ligamentos – são cordões que ligam os ossos entre si, unindo-os na região das articulações

Denso Não Modelado

Também conhecido por desordenado, possui fibras colágenas distribuídas de maneira difusa, ou seja, em todas as direções. É encontrado na camada mais profunda da derme, no periósteo (película que envolve os ossos), no pericôndrio (película que envolve as cartilagens) e nas capsulas que envolvem alguns órgãos, como os rins, fígado, testículos e o baço.

Tecido Conjuntivo Adiposo

Tecido conjuntivo hipodérmico (subcutâneo ou adiposo)

Para garantir a sobrevivência de todas as espécies, mesmo em condições de escassez de nutrientes no meio ambiente, os mamíferos são capazes de estocar o excesso de calorias consumidas e não requisitadas para suprir suas necessidades metabólicas imediatas, como lipídios (triacilgliceróis), proteínas e carboidratos (glicogênio). Os lipídeos, por serem hidrofóbicos, podem ser armazenados em grandes quantidades dispensando a participação da água como solvente, e contêm, por unidade de massa, mais do que o dobro de energia armazenada que os outros dois componentes, fornecendo mais energia metabólica quando oxidados. O tecido adiposo é o principal reservatório energético do organismo. Os adipócitos são as únicas células especializadas no armazenamento de lipídios na forma de triacilglicerol (TAG) em seu citoplasma, sem que isto seja nocivo para sua integridade funcional. Essas células possuem todas as enzimas e proteínas reguladoras necessárias para sintetizar ácidos graxos (lipogênese) e estocar TAG em períodos em que a oferta de energia é abundante, e para mobilizá-los pela lipólise quando há déficit calórico. A regulação desses processos ocorre por meio de nutrientes e sinais aferentes dos tradicionais sistemas neurais e hormonais, e depende das necessidades energéticas do indivíduo.

Nos mamíferos, existem dois tipos de tecido adiposo: o branco (TAB) e o marrom (TAM). O adipócito branco maduro armazena os triglicerídeos em uma única e grande gota lipídica que ocupa de 85-90% do citoplasma e empurra o núcleo e uma fina camada de citosol para a periferia da célula.

Tecido Adiposo Branco (Unilocular)

Este tecido, ao contrário do TAM, apresenta funções mais abrangentes. Por constituir depósitos localizados em diversas regiões do organismo, envolvendo, ou mesmo se infiltrando em órgãos e estruturas internas, o TAB oferece proteção mecânica contrachoques e traumatismos externos, permite um adequado deslizamento entre vísceras e feixes musculares, sem comprometer a integridade e funcionalidade deles. Além disso, pela distribuição mais abrangente, incluindo derme e tecido subcutâneo, e por ser um excelente isolante térmico, tem papel importante na manutenção da temperatura corporal. Outra função, mencionada anteriormente, refere-se a sua capacidade de armazenar energia com necessidade de pouca água, fornecendo mais calorias por grama em comparação ao carboidrato (9 kcal.g-1 vs. 4 kcal.g-1), o que dá ao TAB o status de importante sistema tamponante para o balanço energético. Em decorrência de estudos mais recentes (últimos 10–15 anos), com a descoberta da propriedade do TAB de secretar substâncias com importantes efeitos biológicos, grande importância foi atribuída ao seu papel endócrino. Com a descoberta de uma ampla gama de proteínas secretadas pelo TAB, denominadas adipocinas, um novo conceito sobre a função biológica deste tecido vem surgindo, consolidando a ideia de este tecido ser não apenas um fornecedor e armazenador de energia, mas sim, um órgão dinâmico envolvido em uma variedade de processos metabólicos e fisiológicos.

Tecido Adiposo Marrom (Multilocular)

O TAM é especializado na produção de calor (termogênese) e, portanto, participa ativamente na regulação da temperatura corporal. Os depósitos de TAM estão praticamente ausentes em humanos adultos, mas são encontrados em fetos e recém-nascidos. O adipócito marrom pode atingir 60 µm de diâmetro, sendo, geralmente, muito menor que o adipócito branco que tem um tamanho médio de 90–100 µm. É uma célula caracterizada pela presença de várias gotículas lipídicas citoplasmáticas de diferentes tamanhos, citoplasma relativamente abundante e núcleo esférico e ligeiramente excêntrico. Apresenta um grande número de mitocôndrias que, por não possuírem o complexo enzimático necessário para a síntese de ATP, utilizam a energia liberada pela oxidação de metabólitos, principalmente ácidos graxos, para gerar calor. Esse processo ocorre porque a proteína desacopladora- 1 (UCP-1, termogenina), uma proteína da membrana mitocondrial interna do adipócito marrom, atua como um canal de próton que descarrega a energia gerada pelo acúmulo de prótons no espaço intermembranoso das mitocôndrias durante as reações oxidativas do ciclo de Krebs, desviando esses prótons do complexo F1F0 (ATP sintase) e impedindo a síntese de ATP, permitindo que se dissipe em calor a energia estocada na mitocôndria. A alta concentração de citocromo oxidase dessas mitocôndrias contribui para a coloração mais escurecida das células e do tecido.

 

 

 

 

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